Meus Filhos, minhas regras

Existe uma pergunta que todo pai e toda mãe deveriam se fazer:

Quem está formando o meu filho?

À primeira vista, a resposta parece óbvia.

“Sou eu.”

Mas será mesmo?

Nos últimos anos, algo mudou no Brasil. E mudou de forma tão gradual que muita gente ainda não percebeu.

Durante décadas, os pais partiram de uma premissa simples: a responsabilidade de criar, educar e formar os filhos era da família. A escola auxiliava. O Estado protegia direitos. As instituições cumpriam seu papel.

Mas em algum momento essa lógica começou a se inverter.

Cada vez mais, decisões que antes pertenciam aos pais passaram a ser discutidas, questionadas ou transferidas para terceiros.

E não estou falando apenas de educação.

Estou falando da formação moral, cultural, religiosa e até psicológica das crianças.

Observe o que tem acontecido.

No Espírito Santo, uma lei que garantia aos pais o direito de serem consultados sobre a participação dos filhos em atividades relacionadas à identidade de gênero, orientação sexual e temas semelhantes foi declarada inconstitucional pelo STF.

Em Jales, uma família que educava os filhos em casa foi condenada. O que chamou a atenção não foi apenas a discussão jurídica sobre o homeschooling. O que assustou milhares de brasileiros foram os argumentos utilizados para justificar a decisão.

Entre outras observações, questionou-se o fato de as crianças não terem contato suficiente com determinadas manifestações culturais, religiosas e comportamentais consideradas desejáveis.

Percebe o tamanho da mudança?

A discussão deixou de ser apenas sobre ensinar matemática, português ou ciências.

Passou a ser sobre quem tem o direito de definir quais valores uma criança deve absorver.

E essa é uma pergunta muito mais séria do que parece.

Porque, quando o Estado começa a se enxergar como o principal responsável pela formação moral das crianças, os pais deixam de ser protagonistas e passam a ser tratados como meros coadjuvantes.

A história mostra que isso nunca termina bem.

Os regimes totalitários do século XX compreenderam algo que muitos ainda não perceberam: quem controla a formação das crianças controla o futuro.

Foi assim na União Soviética.

Foi assim em diversos países submetidos ao socialismo real.

O objetivo não era apenas governar o presente.

Era moldar a próxima geração.

Por isso, a lealdade das crianças precisava ser transferida da família para o Estado.

A autoridade dos pais precisava ser relativizada.

A tradição precisava ser substituída.

A fé precisava ser enfraquecida.

A identidade familiar precisava ser fragmentada.

É claro que o Brasil de hoje não é a União Soviética.

Mas isso não significa que não existam sinais preocupantes.

A pandemia deixou marcas profundas.

Milhões de brasileiros testemunharam um crescimento sem precedentes do poder estatal sobre aspectos da vida que antes pareciam intocáveis.

Muitas decisões foram justificadas como temporárias.

Muitas promessas foram feitas.

Mas o que deveria ser exceção passou a ser visto como normal.

E quando um poder extraordinário se torna rotina, a liberdade começa a recuar.

Ao mesmo tempo, milhões de pais começaram a despertar para algo que antes passava despercebido.

Começaram a acompanhar mais de perto o conteúdo ensinado aos filhos.

Começaram a prestar atenção às mensagens transmitidas dentro e fora da sala de aula.

Começaram a perceber que educar não é apenas ensinar conteúdos.

Educar é formar caráter.

Educar é transmitir valores.

Educar é preparar um ser humano para distinguir o certo do errado.

E essa responsabilidade não pertence ao Estado.

Pertence à família.

A própria Convenção Americana sobre Direitos Humanos afirma que os pais têm direito a que seus filhos recebam educação moral e religiosa de acordo com suas convicções.

Isso não é um privilégio.

É um direito humano fundamental.

Mais do que isso.

É um dever.

Nenhum pai pode terceirizar integralmente a formação dos filhos.

Nenhuma mãe pode acreditar que outra pessoa amará seus filhos mais do que ela.

Nenhum governante, juiz, burocrata ou especialista substituirá o amor, o zelo e a responsabilidade daqueles que receberam de Deus a missão de educar uma criança.

Por isso, o verdadeiro debate não é sobre direita ou esquerda.

Não é sobre um partido político.

Não é sobre uma decisão judicial isolada.

O verdadeiro debate é sobre quem estará ao lado dos seus filhos quando as escolhas mais importantes da vida precisarem ser feitas.

Será você?

Ou será alguém que sequer conhece sua família?

A liberdade não desaparece de uma vez.

Ela costuma recuar aos poucos.

Primeiro dizem que os pais não sabem.

Depois dizem que os pais não entendem.

Em seguida dizem que os pais precisam ser corrigidos.

E por fim concluem que os pais devem apenas obedecer.

É justamente nesse momento que cada família precisa fazer sua escolha.

Eu já fiz a minha.

E convido você a fazer a sua.

A responsabilidade pelos seus filhos não pertence ao Estado.

Não pertence aos tribunais.

Não pertence aos burocratas.

Não pertence aos especialistas da moda.

Pertence a você.

Porque seu filho não é um projeto governamental.

Seu filho não é propriedade de instituições.

Seu filho é sua responsabilidade.

Seu filho é seu maior projeto.

Seu filho é seu maior legado.

E é por isso que continuarei defendendo uma ideia simples, mas cada vez mais necessária:

Meus Filhos, Minhas Regras!