O ANTISSEMITISMO DA ESQUERDA E A BUSCA PELA VERDADE

Em uma recente manifestação pública, o ex-presidente do PT, José Genoíno, sugeriu um boicote às empresas judaicas no Brasil como forma de retaliação à guerra promovida pelo grupo Hamas contra o Estado de Israel. Num passado recente, o mundo testemunhou e hoje reprova veementemente situações similares ocorridas na Alemanha e praticadas contra o povo judeu.

A fala de José Genoíno não difere do pensamento de uma parcela substancial da esquerda brasileira, contaminada pelo pensamento binário marxista que enxerga tudo pela dualidade opressor versus oprimido. Essa vertente acredita que o grupo Hamas é vítima da tirania do Estado de Israel. Mesmo que essa fantasia fosse verdadeira, o que é impossível dada a natureza das atividades desenvolvidas pelo grupo Hamas, isso não justificaria um boicote a um povo que sequer participa, de forma direta, das decisões tomadas pelos governantes do Estado de Israel.

É muito comum observar inúmeros xingamentos que partem de militantes e simpatizantes da esquerda, chamando aqueles que consideram adversários de nomes terminados em “ista”. Ao acusar o adversário com terríveis adjetivos, esses militantes extremistas se sentem superiores pois, se o outro lado é de fato isso que se está chamando, é virtuoso estar no campo oposto. O problema é que eles não compreendem o significado dessas palavras e, portanto, não são capazes de decodificar se o outro lado é realmente aquilo que estão acusando. Acabam por entrar, então, num campo de completa histeria, no qual desenvolvem uma rejeição sentimental à certas pessoas por meio de um imaginário formado de maneira distorcida, a despeito de não haver qualquer conexão entre a visão tida por eles e a realidade no campo da experiência real.

O que leva, então, a existir essa tamanha distância entre a realidade e aquilo que eles percebem dela?

Num certo momento longínquo da minha infância eu comi um pão de mel que não estava com um sabor muito agradável e, por um motivo que foge à precisão das minhas recordações, pensei que aquilo era um alfajor. A partir daquele dia, todas as vezes que alguém me oferecia um alfajor eu recusava, imaginando que o sabor dele era daquele pão de mel que havia me proporcionado uma experiência ruim. Num certo momento da minha adolescência, experimentei um alfajor dos bons e percebi a distancia abismal entre o sabor do produto daquilo que eu guardava em meu imaginário. A realidade posta, então, era muito distante do que eu imaginava dela.

O imaginário de parte da população hoje, tal como aconteceu comigo, com relação ao alfajor, está distorcido. Muitas pessoas olham para os fatos que lhe são escancarados, mas não conseguem decodificá-los como são de verdade. Enxergam pelos olhos do sentimento, que, por muitas vezes, por ter se tornado erroneamente negativo, coisas são boas rejeitadas e coisas que são ruins aceitas como boas.

O diabo age nas sutilezas, nos detalhes. Sua missão estará bem encaminhada se nos convencer, voluntariamente, a amar o que deveríamos odiar e odiar o que deveríamos amar. E, amando o mal, você o desejará, ele fará parte da sua essência e você passará a ser aquilo que por vezes critica ou criticou.

Alguns militantes que hoje usam os xingamentos comuns a essa claque sabem o quem são, de verdade, os personagens reais que correspondem aos nomes com final de “ista” que eles costumam repetir? Ao encontrar, por exemplo, um homem que pratica de verdade o terror, eles irão o refutá-lo ou o apoiá-lo? E ao se deparar na vida real com um verdadeiro perseguidor de um povo, eles iriam estar do lado de quem?

A desconexão com a realidade hoje, fez com que muitos jovens e militantes, fossem cooptados a um pensamento que os transforma naquilo que eles acham que estão combatendo. E, isso tornará cada vez mais difícil olhar para a verdade, pois encará-la representará reconhecer erros e assumir que, a despeito de simular virtudes, eles acabam sendo os verdadeiros vilões. Que reflitamos sobre isso e não caiamos nesta armadilha! E que sejamos capazes de distinguir entre aquilo que devemos amar e aquilo que devemos repudiar.