A Igreja em Silêncio: Entre a Fumaça e a Esperança

Há séculos, a Igreja Católica tem sido o esteio moral e espiritual da civilização ocidental. Pela Igreja, o mundo conheceu a dignidade da pessoa, o valor da vida, o respeito à verdade e a elevação da alma ao transcendente. Mas, não é de hoje que ela é atacada. O que surpreende é a quantidade de vezes que foi atacada injustamente — e permaneceu em silêncio.

Mentiram sobre sua história.

Mentiram sobre sua missão.

E muitos nada fizeram.

Acusaram-na de ter sustentado a escravidão, quando foi por meio da autoridade dos papas que surgiram as mais firmes condenações dessa prática — como na bula Sublimis Deus, de Paulo III, em 1537. Acusaram-na de atrasar a ciência, esquecendo que monges e sacerdotes fundaram universidades e foram cientistas brilhantes, como o Pe. Georges Lemaître, que formulou a teoria do Big Bang. Pintaram a Inquisição como máquina de morte, ignorando os registros históricos meticulosos analisados por Jean Dumont, em Inquisição: Um Tribunal de Misericórdia, que provam que os tribunais eclesiásticos foram muito mais justos e moderados que os civis da época.

Essas mentiras persistem, porque foram repetidas sem correção — e aceitas por muitos que deveriam ter se levantado em defesa da verdade.

O historiador e sociólogo Rodney Stark, um autor não católico, mas intelectualmente honesto, produziu pesquisas em universidades seculares e publicou o livro Falso Testemunho, onde refuta ponto a ponto as calúnias históricas contra a Igreja. Curiosamente, sua obra é pouco divulgada no meio católico institucional. Por quê?

Porque talvez a verdade doa mais dentro do que fora.

Hoje, o problema não são apenas os ataques do mundo — mas a omissão de quem deveria defender a fé. O silêncio de muitos pastores tem sido ensurdecedor. E, mais do que isso: há sinais claros de uma infiltração ideológica, diante da qual muitos se dobram, e poucos resistem.

A fumaça que entrou por alguma fresta

O Papa Paulo VI disse em 1972: “Por alguma fresta, a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus”. Muitos estudiosos atribuem essa frase ao surgimento de correntes ideológicas infiltradas na Igreja, especialmente a chamada Teologia da Libertação — que, sob a aparência de caridade, substituiu a cruz de Cristo pela bandeira da luta de classes, e trocou o chamado à salvação eterna por uma militância horizontalista e política.

Essa teologia desviou o povo do altar e o levou às assembleias partidárias.

Tirou o foco da oração e o colocou no discurso ideológico.

Enfraqueceu a liturgia, a penitência, a confissão e o jejum — pilares da vida cristã.

Não à toa, a fé popular foi se esvaziando. Os templos deixaram de formar santos, e passaram a formar “agentes de transformação social”.

Quando a ideologia decide quem será defendido

Talvez o caso mais emblemático da inversão de valores seja o episódio ocorrido em Curitiba, em 2022, quando Renato Freitas, então vereador pelo PT — partido que representa tudo aquilo que há de mais corrosivo para a fé e para a ordem — liderou uma invasão criminosa a uma igreja durante a Santa Missa. Fiéis foram ofendidos, senhoras foram hostilizadas, e o Santíssimo foi desrespeitado.

O mínimo que se esperaria era uma firme defesa por parte da Igreja. Mas o que houve?

Silêncio. Inércia. Ou pior: conivência.

A própria Arquidiocese de Curitiba, após classificar o ato como “profanação injuriosa”, mais tarde pediu que o vereador não fosse cassado.

Nenhuma nota da CNBB. Nenhuma indignação pública de outros bispos. Nenhuma defesa enfática da Santa Missa violada.

E quando um padre manifesta o desejo de celebrar a Missa tradicional de sempre — a Missa Tridentina, rezada por séculos e amada por tantos santos —, quando ele busca o tesouro litúrgico que moldou a fé de gerações inteiras, a reação de certos setores episcopais é imediata, burocrática, muitas vezes implacável.

A rigidez que não se aplica a homilias dúbias ou a práticas pastorais questionáveis, surge com toda a força apenas quando o desejo é pela reverência, pelo latim, pelo incenso, pela sacralidade.

Curiosamente, não se veem reações semelhantes contra pregações ambíguas, discursos confusos ou mesmo discursos políticos disfarçados de homilia.

O zelo parece funcionar com seletividade.

E o peso da autoridade recai, quase sempre, sobre quem tenta conservar — não sobre quem deseja desconstruir.

Heróis silenciosos: padres que ainda resistem

Enquanto muitos se calam ou escolhem a conveniência, três nomes se tornaram, para milhões de fiéis, sinal de esperança:

• Frei Gilson, que reúne multidões em adoração, promove o recolhimento, resgata a vida interior e convida à castidade.

• Padre Paulo Ricardo, que forma gerações de católicos com firmeza, lucidez e fidelidade doutrinal, enfrentando com clareza os erros do nosso tempo.

• Padre José Eduardo, teólogo respeitado, homem de oração e ação pastoral, que foi injustamente acusado e perseguido, sem receber qualquer gesto público de solidariedade de seus superiores.

Esses três homens não ocupam cargos de poder. Mas são faróis na escuridão.

São eles que pregam o que a Igreja sempre ensinou.

São eles que defendem a fé, enquanto outros defendem narrativas.

São eles que sustentam a esperança do povo católico.

E, justamente por isso, são atacados por tudo o que há de pior na sociedade brasileira — e ignorados por muitos que deveriam defendê-los.

Padre Júlio Lancellotti: silêncio seletivo?

O mesmo zelo que faltou para proteger a Santa Missa invadida, ou para amparar sacerdotes fiéis, também se ausenta quando surgem denúncias contra figuras queridas da esquerda religiosa. O caso do Padre Júlio Lancellotti, por exemplo, foi envolto em polêmicas, denúncias graves e condutas que, no mínimo, exigiriam uma averiguação mais profunda e transparente.

Mas nada foi feito com a mesma energia que se vê quando um padre conservador é atacado.

Nenhuma nota. Nenhuma comissão. Nenhuma advertência. Nenhuma preocupação com a confusão que suas homilias, repletas de ambiguidade doutrinária, provocam entre os fiéis.

Por que esse tratamento diferenciado?

Por que a Igreja parece mostrar mais disposição em proteger quem ecoa o discurso progressista — mesmo quando pairam dúvidas — do que quem defende a ortodoxia com clareza?

A pergunta fica no ar.

Mas para quem lê com atenção, a resposta já se desenha.

Nossa Senhora advertiu. E agora?

Em Fátima, em 1917, Nossa Senhora foi clara: os erros da Rússia — ou seja, o comunismo, o materialismo, a destruição da fé — se espalhariam pelo mundo. Ela falou isso a três crianças humildes, mas o aviso era para os bispos, para os padres, para o mundo.

Hoje, esses erros chegaram aos púlpitos. Às campanhas da fraternidade. Aos comunicados ambíguos. Ao silêncio dos que deveriam ser voz.

Será que ainda há quem ouça?

Conclusão: A fé resistirá

A Igreja parece atravessar, mais uma vez, sua paixão.

Cercada por traidores, silenciada pelos omissos, ameaçada por ideólogos — mas sustentada pelos santos escondidos.

Nos confessionários discretos, nos grupos de oração fiéis, nos corações que ainda choram diante do sacrário, a fé católica não morreu. E não morrerá.

Porque, enquanto houver padres como Frei Gilson, Padre Paulo Ricardo e Padre José Eduardo — enquanto houver fiéis que buscam a verdade — enquanto houver católicos que não se deixam enganar pela fumaça — a Igreja, mesmo em silêncio, falará mais alto do que qualquer narrativa.

E, um dia, os que agora se calam ou confundem ouvirão de volta a voz que vem do Céu:

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Que assim seja!